quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
POLÍTICA DE COTAS UNIVERSITÁRIAS
Cotistas poderão ser beneficiados com bolsas e auxílios especiais
11 de setembro de 2012 • 11h04 • atualizado às 11h58
O Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) preparam um pacote de medidas para assegurar a permanência de estudantes cotistas que ingressem nas universidades públicas e institutos federais, conforme a Lei de Cotas Sociais (12.711/2012) que destina 50% das vagas para estudantes oriundos de escolas públicas.
Os estudantes cotistas, com dificuldades de permanecer na universidade (por necessidade de trabalhar, dificuldade de deslocamento ou falta de recursos para comprar livros e instrumentos para fazer o curso) poderão ser beneficiados com o pagamento de bolsas e auxílios especiais. Os valores ainda não foram estabelecidos.
Além disso, o governo quer que as comunidades acadêmicas das universidades e dos institutos (que terão quatro anos para implantar progressivamente o percentual de reserva de vagas) estejam preparadas para receber os cotistas. De acordo com a lei, cada instituição deverá preencher as cotas com autodeclarados pretos, pardos e indígenas na mesma proporção populacional de cada estado.
Para o caso dos estudantes negros, uma ideia é criar centros de convivência negra (como o implantado na Universidade de Brasília (UnB), uma das primeiras a ter sistema de cotas no país). "Nós estamos trabalhando junto com o Ministério da Educação num grande programa que vai facilitar a permanência do estudante, não só a partir de auxílio permanência, mas também de adaptar a universidade para esse público", destaca o secretário-executivo da Seppir, Mário Lisboa Theodoro.
O cálculo do governo é que o número de alunos negros cotistas suba dos atuais 8,7 mil para 56 mil estudantes daqui a quatro anos. O crescimento terá grande efeito social, espera o governo. "Se é pela escolaridade que se abrem as portas do emprego, as desigualdades tendem a ser minoradas", pondera a coordenadora-geral para Educação de Relações Étnica-Raciais do MEC, Ilma Fátima de Jesus.
Mário Theodoro espera, além do impacto social, um efeito "simbólico". "Teremos profissionais negros de nível superior, gabaritados e em quantidade que não temos hoje. Vamos ter uma elite intelectual mais com a cara de todo o povo", salientou.
Segundo o secretário, o governo também vai monitorar o desempenho acadêmico e o ingresso no mercado de trabalho dos cotistas formados. "Estamos verificando em alguns momentos e em situações pontuais estigmas com relação aos cotistas, o que é um absurdo. Nós vamos monitorar para saber se há algum problema no mercado de trabalho", informou.
O MEC e a Seppir participam hoje (11) à noite, em Brasília, da audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, para discutir o mandado de segurança de autoria do Instituto de Advocacia Racial (Iara) e do pesquisador de gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto contra o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que liberou a adoção do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato (escrito em 1933), no Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE). A posição do governo é contrária à censura ou suspensão do livro.
"Não se trata de vetar, mas indicar que precisa ser lido a partir da crítica", salienta Ilma Fátima de Jesus, do MEC. Segundo ela, o PNBE não deve adotar nenhuma obra que coloque ''a pessoa em situação vexatória". "É importante que essas obras sejam veiculadas porque fazem parte da história e Monteiro Lobato é uma figura importante. Vejo que têm que ser discutidas criticamente. Algumas passagens que hoje em dia ferem muito mais os ouvidos da sociedade brasileira do que feriam alguns anos atrás. Isso tem que ser contextualizado'', concordou Theodoro. O advogado Humberto Adami, do Iara, também defende a contextualização e alerta para riscos de preconceitos. ''Não se pode permitir que essas expressões racistas de outro momento entrem impunemente e reproduzam ou reinventem o racismo em sala de aula. Depois não adianta fazer campanha contra bullying na escola.'' Edição:
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
O DESEMBARQUE -
O Desembarque
(Leva de Escravos)
Foi longa a travessia?... Mas a terra
Aparece por fim... a terra pura,
Que a seiva do porvir no seio encerra,
Que transborda de risos na verdura!
Então um paraíso só descerra
Na grandeza que ajusta-se à ternura;
A vida via suave e descuidosa
A natureza, altiva e portentosa.
Dos navios que tristes ancoraram,
Como ladrões... esquálidos bandidos...
Saltam homens que a pátria atrás deixaram;
Que aos sorrisos dos ventos em seus ouvidos,
Estatelados, pávidos ficaram,
Como se ouvissem só, entre gemidos,
O choro de seus pais lá nos seus lares
Que bem longe... atrás... nos mares...
É a turba famélica de escravos
Que acabam de chegar...ai! não saudemos,
Sua alma dolorida, os seus agravos
Todos feitos por nós...
Para lavar os crimes ignavos
Que na face dos homens inscrevemos.
A cada som que dão estas cadeias,
Alma da história, quanto te mareias!...
Cambaleando, mortos de fadiga,
Repelidos do mar que os não tragara,
Onde hão de um dia achar uma voz amiga,
Que a dor acerba em risos lhes trocara!...
Rejeitados do céu que não abriga
O cativo que o olhar no céu fitara,
Rechaçado dos homens que os devoram
A fome, a peste, a morte... eis o que implorava...
Ah! Não, não foi por certo a luz dos fortes
Testemunha do crime indiferente...
Foram da noite as trêmulas cortes
De sombras, que se escoam friamente,
Que guardaram a presa... Nos transportes
Que no mandas transidos pela mente,
Oh, tristeza do sol, inda ressumas
Refletidas do mar sobre as espumas!...
Sílvio Romero (1851 - 1914)
* in Parnaso Sergipano, vol. II, 1904, pp. 279-280
Disponível no site http://www.aracaju.com/museu/negros1.htm
Branqueamento
"A mulher negra sofre de maneira mais profunda a pressão no sentido do
branqueamento, especialmente, do ponto de vista estético [...] E por ser,
geralmente, a principal responsável pela educação dos filhos, a mulher negra é
utilizada como canal de repasse dos sentimentos de inferioridade impostos pela
sociedade, e que causa tantos danos á auto-estima de crianças e jovens negros.
... Por outro lado, o homem negro, também vítima destas contradições, tende a
afastar-se da mulher negra em virtude da ideologia que os inferioriza, relegando a
a solidão [...] "
Programa de Ação do Movimento Negro Unificado, Salvador, 1992, pp.17-18.Ver mais
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