sábado, 24 de abril de 2010

Abolição Inconclusa

Treze de maio de 2010 completam-se 122 anos que o Brasil "aboliu a escravatura", marco na consagração da Lei Áurea, na figura imperial, da princesa Isabel. Foi das mais relevantes conquistas na flexibilização sócio-racial. Mas, diferentemente dos Estados Unidos, onde houve indenização de terras e mulas, aqui sobrou relento e desemprego e “pés descalços”. Coube aos libertos, independentemente da diáspora com a divisão das famílias, organizarem-se religiosa, política e culturalmente, sob mutilações e vidas ceifadas, na luta por cidadania e inclusão social.

Mesmo assim, após as conquistas do voto universal, do crime inafiançável de racismo, das liberdades religiosas, do Decreto-lei 4228/2002 para empregabilidade pública, assim como da Lei 10.639/2003, de obrigatoriedade do ensino da cultura afrobrasileira, transformada em Lei 11.645/2008 para a inclusão da cultura indígena, e ainda do sistema de cotas para as universidades públicas, assistimos, personalidades, se não racistas, ainda insensíveis às ações afirmativas que envolvem, conforme o modelo de inclusão, discriminação positiva.

Com 12%, os afroamericanos organizaram-se culminando nos direitos civis da década de 60, sob as lideranças de Luther King e Malcolm X. Hoje, podem disputar postos-chaves. É o caso de Barak Obama, que teve credibilidade naquele processo eleitoral, na disputa com as dinastias Clinton e Bush, constituindo-se em um potencial fato novo.

O legado de Zumbi dos Palmares, recebido do Rei Ganga Zumba, no Brasil está se realizando com as conquistas dos afrobrasileios e o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, quando ele foi assassinado em 1695, é nova realidade, que, aliada a futuras conquistas, fará concluir a abolição, alçando o Brasil pleno de inclusão e, aí sim, uma democracia racial.

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